1º Estudo Epidemiológico
Nacional sobre Síndrome Metabólica revela: um terço da
população está em risco.
A prevalência da síndrome
metabólica (SM) em Portugal está em crescimento e estima-se que atinja perto de
um terço (29,4%) da população portuguesa. Dados do primeiro estudo sobre
preVALência da Síndrome Metabólica (VALSIM) em Portugal registaram que 39,3% da
população já estudada (16.333 doentes) sofre desta síndrome.
Os dados são preocupantes tendo em conta que os doentes com SM têm um risco
cardiovascular duas a três vezes aumentado.
Este estudo epidemiológico promovido pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia, com o
apoio da Direcção-Geral da Saúde, Associação Portuguesa dos Médicos
de Clínica Geral e a Novartis Farma, será apresentado amanhã, 24 de
Abril, às 14.30 horas, no Tivoli Marinotel, em Vilamoura, no âmbito do XXVIII
Congresso Português de Cardiologia.
O estudo revela ainda que a síndrome metabólica é mais frequente nas
mulheres do que nos homens (48,5% versus 32,8%), se bem que seja mais prevalente nos
indivíduos do sexo masculino até aos 50 anos, mas mais predominante a partir dos
60 anos nas mulheres.
Os factores de risco mais frequentemente associados ao diagnóstico de SM foram a
hipertensão arterial (70,4%), o perímetro abdominal aumentado (58,3%), aumento
da glicemia em jejum (44,8%), triglicéridos aumentados (33,7%) e colesterol HDL
diminuída (28%).
A síndrome metabólica está associada a diversas consequências para
a saúde, tais como doença coronária, diabetes tipo II e acidente vascular
cerebral (AVC) e é considerada pela OMS como uma epidemia do século XXI. «Ao não existirem, em Portugal, dados indicativos da prevalência da SM, pareceu-nos de todo o interesse realizar um estudo a nível nacional, Continente e ilhas, que informasse acerca da sua prevalência que caracterizasse estes doentes», revela Manuela Fiúza, investigadora principal do estudo.
Contudo, sublinha estarem ainda por analisar outros dados. E acrescenta: «Estes
resultados têm de ser contextualizados e discutidos, tendo também em
consideração as assimetrias regionais, de forma que possam contribuir para
reforçar acções de cariz educativo/preventivo e terapêutico
atempado no âmbito da saúde pública.»
Metodologia e resultados
O VALSIM foi um estudo observacional transversal de
prevalência da síndrome metabólico em Portugal, realizado em utentes de
Centros de Saúde. Foram incluídos, após consentimento informado, os dois
primeiros doentes de cada dia de consulta, de ambos os sexos e com idade superior a 18
anos, com inscrição prévia na consulta do Centro de Saúde do continente
e ilhas e com resultados analíticos de colesterol HDL, triglicéridos e glicemia
em jejum efectuados até um ano antes da presente consulta.
Foram analisados os dados de 16.333 doentes, com idade média de 58±15 anos, e
concluiu-se que a prevalência global de SM no estudo VALSIM foi de 39,3%, (48,5% nas
mulheres e 32,8% nos homens). Na estimativa para a população portuguesa a prevalência
global a nível nacional é de 29,4% (31,19% nas mulheres, 27,46% nos homens).
Na análise estratificada por idade e sexo constata-se também que o SM vai
aumentando com a idade, passando de 7% na população com mais de 18 anos para mais
de 46% a partir dos 60 anos. É mais prevalente no sexo masculino até à
quinta década de vida, predominando no sexo feminino a partir dos 60 anos.
A prevalência da SM apresenta variações a nível regional, sendo
mais prevalente nos distritos de Beja, Bragança, Guarda, Leiria, Santarém e
Viseu que se destacam por apresentarem uma prevalência maior quando comparados com
o resto do país.
Na análise de regressão logística para idade, sexo e região,
destacam-se os distritos de Beja, Leiria, Santarém e Viseu que apresentam um risco
mais elevado de SM quando comparados com o resto do país e ao invés os
distritos de Lisboa e Faro são os que têm risco menor.
Os factores de risco mais frequentemente associados ao diagnóstico de SM
foram a hipertensão arterial (70,4%), o perímetro abdominal aumentado (58,3%),
aumento da glicemia em jejum (44,8%), triglicéridos aumentados (33,7%) e colesterol
HDL diminuída (28%). No sexo feminino os factores mais frequentes foram o aumento
do perímetro abdominal e a diminuição da HDL, enquanto que nos homens
predominou a hipertensão arterial, a hiperglicemia e a hipertrigliceridemia.