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Esclarecimento da SPC em resposta a notícia sobre riscos do “Plavix”

Na sexta-feira dia 5 de Junho de 2009, o canal de televisão TVI passou uma notícia sobre o medicamento comercializado com o nome "Plavix". A Sociedade Portuguesa de Cardiologia reagiu à notícia com a carta que se segue.

 

Exmos. Senhores,

Em nome da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e na sequência da vossa notícia no Telejornal de Sexta-Feira dia 5, com o título genérico “medicamento pode aumentar risco de enfarte ou tromboses” cumpre-nos esclarecer o seguinte:

1. O medicamento com o nome comercial “Plavix” é hoje usado em todo o mundo por milhões de doentes, em várias situações clínicas, entre as quais o enfarte do miocárdio é a mais relevante.
2. Para muitos destes doentes o referido medicamento é imprescindível, havendo recomendações internacionais claras desaconselhando a sua suspensão prematura.
3. Recentemente, a comunidade médica foi alertada para alguns estudos clínicos publicados, os quais evidenciam uma redução da eficácia do “Plavix”, quando o doente está igualmente medicado com alguns fármacos frequentemente utilizados para o tratamento de perturbações digestivas, alguns dos chamados inibidores da bomba de protões.
4. Ao contrário do que é referido na vossa peça, o doente não deve deixar de tomar o “Plavix”, bem pelo contrário, o doente  deve sim, junto do seu médico, encontrar a medicação mais adequada ao seu problema digestivo, sem interromper a toma diária de “Plavix” e deste modo sem perder toda a sua eficácia e benefício.

A interrupção extemporânea de “Plavix” pode, em algumas situações, ser responsável por problemas cardíacos agudos graves, os quais se saldam por elevadas taxas de mortalidade.

Grato pela vossa atenção, manifestando desde já toda a disponibilidade da Sociedade Portuguesa de Cardiologia para prestar esclarecimentos adicionais sobre este assunto.


João Morais
Vice Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Zona Centro