Qual a nossa história
 
A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) foi fundada em 9 de Julho de 1949 e resultou da vontade de um grupo de médicos cardiologistas, ligados a instituições universitárias, de criar uma sociedade científica que pudesse servir de base ao desenvolvimento da Cardiologia portuguesa. A SPC nasce assim numa época de reordenamento internacional, precipitado pelo final da segunda Guerra Mundial, quando alguns médicos portugueses restabelecem contactos com colegas amigos além fronteiras e outros se deslocam ao estrangeiro para fazer estágios, por vezes suportados financeiramente pelo Instituto de Alta Cultura, nascente da Fundação Calouste Gulbenkian.

A reunião da Comissão Preparatória teve lugar na Sede da Ordem dos Médicos, então na Avenida da Liberdade, e foi convocada por carta, datada de 27 de Junho do mesmo ano, subscrita por Jacinto Moniz de Bettencourt, Arsénio Cordeiro e Pedro Madeira Pinto.

Os objectivos da SPC foram delineados nos seus primeiros estatutos: estimular o estudo e investigação dos problemas científicos relacionados com as doenças do aparelho circulatório; ocupar-se dos aspectos sociais da profilaxia e assistência aos doentes cardíacos; promover o estreitamento das relações científicas entre os médicos portugueses que se dedicam em particular a este sector da Medicina, representando também o país nas reuniões científicas internacionais.

Foram 17 os Sócios Fundadores da SPC: Jacinto Moniz de Bettencourt, David von Bonhorst, Leonel Cabral, Anibal Castro, Eduardo Coelho, Arsénio Cordeiro, Jaime Celestino da Costa, António Lima Faleiro, Alfredo Franco, Manuel Cerqueira Gomes, João Antunes Leal, Mário Moreira, Adelino Padesca, Pedro Madeira Pinto, João Porto, Benjamin Mendonça Santos e Francisco Rocha da Silva.

A primeira reunião da Assembleia-Geral e a eleição dos corpos gerentes teve lugar a 19 de Novembro de 1949. A criação de três secções da SPC, em Lisboa, Porto e Coimbra, a definição de que nos cargos gerentes houvesse sempre representantes das três regiões, que os presidentes fossem sucessivamente escolhidos entre sócios destas regiões, e que as sessões científicas se realizassem alternadamente nas três cidades, reflecte bem a preocupação em fundar uma sociedade de âmbito verdadeiramente nacional. Estes princípios gerais têm-se respeitado ao longo dos 61 anos de existência da SPC e têm certamente contribuído para o sucesso desta sociedade científica.

Assinalável é também a determinação da SPC, desde a sua criação, em cativar sócios não cardiologistas. Esta determinação é exemplificada pelas nomeações de um angiologista – Cid dos Santos – e um internista – Cerqueira Gomes – para os lugares de Vice-Presidentes da primeira Direcção da SPC.

O nível científico da Cardiologia Portuguesa pode avaliar-se pela projecção internacional que rapidamente atingiu desde o seu início: no 1º Congresso Mundial de Cardiologia, efectuado em Paris em 1950, foram apresentadas 14 comunicações científicas e no 1º Congresso Europeu de Cardiologia, em Londres em 1952, quatro.

No ano seguinte, em 1953, inicia-se um intercâmbio regular com a Cardiologia Espanhola com a realização, em Sevilha, do 1º Congresso Luso-Espanhol de Cardiologia. O 2º Congresso Luso-Espanhol realizou-se em Lisboa em 1956. É dada grande importância aos aspectos sociais da doença cardíaca, criando-se o Dia da Cardiologia Social.

Na década de 50, o número de sócios sobe, atingindo a centena. João Porto e Arsénio Cordeiro são os grandes responsáveis pela condução da SPC nesse período. Nos anos sessenta continua a assistir-se à expansão da SPC, traduzida no aumento do número de associados, no alargamento dos contactos internacionais ao American College of Cardiology, que traz a Portugal o seu primeiro International Circuit Course. Realizam-se Congressos Luso-Espanhóis: ao todo, houve 11, o último em 1990.

Entre 1954 e 1958 editam-se os três primeiros volumes do Boletim da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, sob a direcção de Jacinto Moniz de Bettencourt. Após uma interrupção de 8 anos, retoma-se a publicação do Boletim, com o 4º volume em 1966. Desde então, sempre sob a égide de Moniz de Bettencourt, o Boletim publica-se ininterruptamente até ao volume XIX, relativo a 1981, sendo substituído a partir de 1982 pela Revista Portuguesa de Cardiologia, cujo primeiro director foi Carlos Ribeiro. Esta Revista é uma Edição bilingue desde Janeiro de 2000.

Na década de 70 assiste-se a eventos fundamentais na vida da SPC, de grande impacto para o seu futuro nomeadamente a realização, em 1974 e na direcção de Mário Trincão, do primeiro Congresso Português de Cardiologia, em Lisboa (Estoril) e a criação dos Grupos de Estudo, da Associação Portuguesa de Pacing Cardíaco e da Fundação Portuguesa de Cardiologia, que vem a ser presidida por Fernando de Pádua.

O primeiro Congresso estava marcado para Abril de 1974, mas a Revolução de 25 e Abril levou ao seu adiamento para Dezembro. O segundo e terceiro Congressos, realizados em 1977 (Alvor) e 1979 (Póvoa de Varzim), consolidaram a sua importância como reunião magna dos cardiologistas portugueses, passando desde então a ser anuais, apenas entrecortados pela realização dos Congressos Luso-Espanhóis.

A expansão que a SPC conheceu no final da década de 70 permitiu a concretização de um sonho de longos anos – uma sede própria da SPC, no Campo Grande 30, adquirida em 1981, na direcção presidida por Ramos Lopes. Na década de 90 a expansão das actividades e o apoio da Indústria Farmacêutica e de Equipamentos permitiu a aquisição de nova sede, a Casa do Coração, dotada de infra-estruturas administrativas adequadas, uma biblioteca, um núcleo museológico e um auditório próprio.

A Casa do Coração foi inaugurada em 1996, com a presença do Presidente da República, na direcção presidida por Rafael Ferreira. Em 1999, na direcção presidida por Pedro van Zeller, foi adquirida a delegação Norte da SPC, situada no Porto e, no ano 2001, na direcção presidida por Martins Correia, a delegação Centro, em Coimbra. Com a instalação, nesta delegação, do Centro Nacional de Colecção de Dados em Cardiologia, constatou-se a necessidade de procurar instalações mais amplas, que pudessem incorporar esta nova estrutura na referida Delegação. Inauguram-se assim, no ano 2005, as novas instalações da Delegação Centro da SPC.

No princípio da década de 80, iniciaram-se com regularidade bienal, os Simpósios Luso-Brasileiros de Cardiologia. O primeiro Simpósio realizou-se no Brasil, em 1981, na direcção de Ramos Lopes e, ao longo da década de 80, esta reunião teve cinco edições que permitiram sedimentar, em bases sólidas, as relações entre as duas Sociedades de Cardiologia. O mais recente encontro realizou-se de 13 a 15 de Março de 2001 em Salvador da Baía. Desde então, tornou-se habitual a realização de simpósia conjuntos, inseridos nos congressos nacionais das duas Sociedades.

Em 1984, na direcção presidida por Cerqueira Gomes, realizam-se em Lisboa, as primeiras Jornadas Luso-Francesas de Cardiologia, vindo as segundas a ser realizadas em Coimbra em 1994, na direcção de Luís Providência. As terceiras têm lugar em Lisboa-Estoril, em 1997, na direcção de Rafael Ferreira, as quartas em Paris, em 1998, durante o mandato de Pedro van Zeller e as quintas, no Porto, em 2000, durante o mandato de Martins Correia.

Na década de 80 aumentaram as acções de formação médica continuada a cargo dos Grupos de Estudo e, em 1988, na direcção presidida por Machado Macedo, realiza-se a primeira Reunião Nacional sobre Recomendações, Competências e Consensos em Cardiologia, com a finalidade de discutir e implementar normas de actuação diagnóstica e terapêutica em Cardiologia.

Nos anos 90 aumentam de modo significativo o número de bolsas de estudo concedidas e de prémios a trabalhos científicos.

Ainda nos anos 90, reforçam-se as ligações à Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) e às sociedades congéneres europeias, o que se traduz pela realização de numerosas reuniões conjuntas. A ligação da SPC à ESC, de que foi fundadora em 1950 e de que é filiada, processa-se na vertente científica – pela presença de associados nos seus Congressos anuais e nos seus Grupos de Estudo – e na vertente institucional – pela presença de representantes na Direcção da ESC e em várias Comissões Permanentes. Carlos Ribeiro foi Vice-Presidente da ESC no período 1988-90 e Luís Providência no biénio 1998-2000. Ao longo da última década, vários Sócios da SPC têm ajudado a promover internacionalmente a Cardiologia portuguesa pelas funções de responsabilidade que têm desempenhado na ESC, como membros da Comissão de Nomeação, da Comissão de Educação, das Coordenações dos Grupos de Estudo e Associações, da Comissão Científica do Congresso Europeu de Cardiologia, entre outras.

No ano de 1999 comemoraram-se os 50 anos de actividade da SPC. De entre as várias actividades comemorativas destaca-se uma cerimónia oficial com a presença do Presidente da ESC e do Presidente da World Heart Federation e a edição de um livro comemorativo.

Em 2002, na Direcção de Ricardo Seabra Gomes, implementam-se os Registos Nacionais, um passo importante para um melhor conhecimento da realidade portuguesa e, traduziram-se e divulgaram-se as Recomendações Diagnósticas e Terapêuticas, num esforço para melhorar a prática clínica em Portugal.

A história mais recente da SPC, já no século XXI, abrangendo as Direcções de Ricardo Seabra Gomes, Mário Freitas, Cassiano Abreu-Lima e Hugo Madeira, é ainda marcada pela implementação da acreditação das acções formativas pelo European Bureau of Accreditation in Cardiology, pela criação do Portal da SPC e a edição “on line” da Revista Portuguesa de Cardiologia e do Boletim Informativo para os Sócios, pela criação da Revista Factores de Risco, pelo incremento dos programas de formação em Cardiologia, pela Carta Europeia do Coração e pelo estreitamento de relações com os países de língua portuguesa.

Ao longo dos seus 61 anos de existência, as Direcções da SPC, aglutinando o trabalho de todos os seus numerosos sócios, criaram condições para concretizar os objectivos estatutários da SPC: "o desenvolvimento da Cardiologia ao serviço da população portuguesa".

No seu 61º Aniversário a SPC tem um desejo simples mas ambicioso, expresso na Carta Europeia do Coração que subscreve desde 2007: que cada criança nascida neste milénio tenha o direito a viver, pelo menos até aos 65 anos de idade, sem sofrer de uma doença cardiovascular evitável.
 
Na impossibilidade de nomear todos os que contribuíram para o desenvolvimento da SPC referimos o nome dos prestigiados sócios, que foram Presidentes das várias Direcções:
 
  • João Porto (1949-1953;1955-1959;1964-1966)
  • Aureliano Pecegueiro (1953-1955)
  • Arsénio Cordeiro (1959-1964)
  • Jacinto Moniz de Bettencourt (1966-1970)
  • Mário Trincão (1970-1974)
  • Alfredo Franco (1974-1976)
  • Fernando de Pádua (1976-1978)
  • Carlos Ribeiro (1978-1981) 
  • M. Ramos Lopes (1981-1983)
  • M. Cerqueira Gomes (1983-1985)
  • S. Sequerra Amram (1985-1987)
  • M. Machado Macedo (1987-1989)
  • A.Falcão de Freitas (1989-1991)
  • A. Sales Luís (1991-1993)
  • Luís A. Providência (1993-1995)
  • Rafael Ferreira (1995-1997)
  • Pedro van Zeller (1997-1999)
  • J. Martins Correia (1999-2001)
  • R. Seabra-Gomes (2001-2003)
  • Mário Freitas (2003-2005)
  • Cassiano Abreu-Lima (2005-2007)
  • Hugo Madeira (2007-2009)