Estudo Português de Hipercolesterolemia Familiar
 
por Mafalda Bourbon (investigadora responsável)
 
 
Embora a FH seja uma das doenças genéticas mais comuns, não havia nenhum estudo epidemiológico ou registo desta doença no nosso País, pelo que em 1999 no Centro de Biopatologia do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) se decidiu iniciar o presente estudo.

Indivíduos com Hipercolesterolemia Familiar (FH) têm níveis altos de colesterol desde o nascimento, havendo por isso um risco acrescido de doença cardiovascular prematura. Indivíduos com idades entre os 20-39 anos têm um risco 100 vezes superior de sofrerem um evento cardiovascular, muitas vezes fatal, comparativamente à população em geral.

O diagnóstico genético da FH permite o diagnóstico correcto da mesma e possibilita também a identificação precoce de familiares com a patologia, permitindo a sua adequada orientação terapêutica. O diagnóstico correcto e precoce destes indivíduos tem elevada importância na prevenção da doença cardiovascular, pois fundamenta a introdução de medidas terapêuticas mais precoces e/ou agressivas. Estudos demonstram que estes indivíduos correctamente identificados e medicados, de preferência desde idade jovem, podem vir a ter a mesma esperança de vida que a população em geral.

A FH é causada na maioria dos casos por mutações no gene que codifica para o receptor das lipoproteínas de baixa densidade (LDLR), contudo doentes com mutações nos genes da apolipoproteína B (APOB) ou no gene "proprotein convertase subtilisin/kexin type 9" (PCSK9) apresentam as mesmas características clínicas de doentes com mutações no gene LDLR.
 
 
Objectivos
 
O objectivo principal deste trabalho é a determinação da causa genética da hipercolesterolemia em doentes com diagnóstico clínico de FH e a realização de estudos familiares após a identificação de uma mutação num dos 3 genes mencionados anteriormente.
 
 
Importância da detecção precoce da hipercolesterolemia familiar
 
A hipercolesterolemia familiar (FH) é uma patologia genética, que está associada a um risco aumentado de doença coronária prematura. A forma homozigótica da hipercolesterolemia familiar é rara, mas a heterozigótica é comum (1:500) se bem que sub-diagnosticada, apesar de preencher os critérios da Organização Mundial de Saúde para programas de rastreio em larga escala.

O diagnóstico correcto da FH é possível e existe tratamento eficaz. O diagnóstico precoce e o tratamento correcto dos indivíduos afectados podem aumentar a sua esperança de vida em vários anos.
 
 
 
 
Resultados
 
Mais de 500 indivíduos, entre casos-índex (CI) e familiares, com e sem diagnóstico clínico de FH, estão inscritos no Estudo Português de Hipercolesterolemia Familiar.

Resultados obtidos até:

Julho 2006
 
 
Nº total de casos-índex recebidos
Nº total de CI com estudo completo da ApoB e do LDLR.
Nº total de CI com mutação no gene LDLR
Nº total
de CI com mutação no gene ApoB
Nº total de CI com mutação no gene PCSK9

Nº total de indivíduos geneticamente identificados
(CI + familiares)

Adultos
111
103
58
2
2
62+84=146
Crianças/Adolescentes
42
38
20
-
-
20+22=42
Total
153
141

78
(76 Ht + 2 Hm)

2 Ht
2 Ht

190
(188 Ht + 2 Hm)

 
Ht = heterozigoto; Hm = homozigoto (CI com duas mutações diferentes ou iguais em alelos diferentes)
CI = Caso índex ( ou seja, indivíduo a estudar)
 
 
Setembro 2006
 
 
Nº total de casos-índex recebidos
Nº total de CI com estudo completo da ApoB e do LDLR.
Nº total de CI com mutação no gene LDLR
Nº total
de CI com mutação no gene ApoB
Nº total de CI com mutação no gene PCSK9

Nº total de indivíduos geneticamente identificados
(CI + familiares)

Adultos
119
113
63
2
2
67+90=157
Crianças/Adolescentes
47
43
25
-
-
25+28=53
Total
166
156

88
(84 Ht + 4 Hm)

2 Ht
2 Ht

210
(204 Ht + 4 Hm)

 
Ht = heterozigoto; Hm = homozigoto (CI com duas mutações diferentes ou iguais em alelos diferentes)
CI = Caso índex ( ou seja, indivíduo a estudar)
 
 
Equipa de investigação
 
O Estudo Português de Hipercolesterolemia Familiar é promovido pela Unidade de Investigação Cardiovascular do Centro de Biopatologia do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, que tem como coordenadora a Doutora Mafalda Bourbon e consultora clínica a Dra. Quitéria Rato.
 
 
Investigação Molecular
 
Doutora Mafalda Bourbon (investigadora responsável);
Dra. Ana Catarina Alves (assistente de investigação);
Dra. Ana Margarida Medeiros e Dra. Sónia Silva ( estagiárias de investigação) - Unidade de Investigação Cardiovascular, CBP, INSA.
 
 
Investigação Clínica
 
Prof. Doutor António Guerra - Serv. de Pediatria, Hosp. de S. João, E.P.E., Porto;
Dr. António Furtado - Serv. de Med. Interna, Hosp. Pedro Hispano, Matosinhos;
Prof. Doutor José Manuel Silva - Serv. de Med. Interna, HUC, Coimbra;
Profª Doutora Graça Morais - Dept. de Bioquímica, Fac. de Ciências Médicas, UNL, Lisboa;
Dra. Isabel Gaspar - Serv. de Genética, Hosp. de Santa Maria, E.P.E., Lisboa;
Dra. Ana Gaspar - Serv de Pediatria, Hospital de Sta Maria, E.P.E., Lisboa
Dr. Pedro Marques da Silva - Serv. de Med. Interna, Hosp. de Santa Marta, E.P.E, Lisboa;
Dr. João Sequeira Duarte - Serv. de Endocrinologia, Hosp. de Egas Moniz, Lisboa;
Dra. Sílvia Sequeira - Serv. Doenças metabólicas, Hosp.D. Estefânia;
Dra. Quitéria Rato - Serv. de Cardiologia, Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E, Hosp. de São Bernardo, Setúbal;
Dr. Mário Amaro - Serv Medicina Interna, Hospital Garcia da Orta;
Dra. Isabel Azevedo - Serv. de Med. Interna I, Centro Hospitalar do Funchal, Hosp. dos Marmeleiros, Funchal;
Dra. Renata Rossi - Serv. Cardiologia Pediátrica, Hosp. Sta. Cruz, Av. Prof. Reinaldo dos Santos, 2790–134 Carnaxide
Dra. Margarida Bruges - Hosp. Sta. Cruz, Av. Prof. Reinaldo dos Santos, 2790–134 Carnaxide
Dra. Leonor Sassetti - Unidade de Adolescentes, Hosp. D. Estefânia, R. Jacinta Marto, 1169-045 Lisboa
 
 
Apoios técnicos e científicos
 
Alto Comissariado para a Saúde
Ministério da Saúde
Medical Research Council - Lipoprotein Group, Hammersmith Hospital, UK
Fundacion Hipercolesterolemia Familiar, Espanha